8.2. Sexo e idade

Entre mulheres brancas com mestrado, em 1996, houve maiores frequências de titulações (2.284 títulos contra 2.172 títulos para homens brancos mestres), sendo que, para o doutorado, somente em 2003 é que as titulações de mulheres brancas (2.187) passam a ser maiores que as dos homens brancos (2.108). As participações de títulos na categoria cor ou raça amarela, tanto no mestrado quanto no doutorado, são bem semelhantes às da categoria de cor ou raça branca, chegando os títulos de mestrado e de doutorado das mulheres a responder por 60% das respectivas titulações ao longo do período (gráfico 8.2.1). No período de 1996 a 2021, as titulações de mulheres de cor ou raça branca totalizaram no mestrado 279.821 títulos (215.672 para homens brancos) e 103.226 títulos de doutorado (85.105 para homens brancos).

O número de títulos para mulheres pretas mestres, no período de 1996 a 2007, é bem próximo ao dos homens pretos, apesar das oscilações, sendo que, a partir de 2009, ocorre incremento do número de titulações de mulheres pretas com mestrado, em 2009, foram 601 títulos para mulheres pretas e 556 para homens pretos. Entretanto, para o doutorado, com algumas oscilações em anos mais recentes, o número de titulações de mulheres pretas sempre esteve abaixo do número de titulações de homens pretos. Para o período de 1996 a 2021, mulheres pretas mestres alcançaram 21.904 titulações, e homens pretos mestres, 19.232. No doutorado, foram 5.150 títulos para mulheres pretas e 5.612 para homens pretos.

As titulações de mestrado para a categoria cor ou raça parda também iniciam a série histórica de titulações com menor número de títulos para mulheres pardas, sendo que somente em 2006 é que mulheres pardas superam o número de títulos de homens pardos (1.764 títulos para mulheres pardas e 1.548 para homens pardos). Ou seja, a feminização da pós-graduação no mestrado para as categorias preta e parda ocorre com uma década de defasagem em comparação às mulheres brancas. Foi somente em 2017 que o número de títulos de doutorado obtidos por mulheres pardas ultrapassou o de homens pardos, com 2.064 e 1.900 titulados, respectivamente. Portanto, no caso do doutorado, para mulheres pardas, são 15 anos de defasagem em comparação à maior participação de mulheres brancas no doutorado. No período de 1996 a 2021, foram 90.941 títulos de mestrado para mulheres pardas e 76.841 para homens pardos; no doutorado, foram 24.339 títulos para mulheres pardas e 23.341 para homens pardos.

As titulações de mulheres de categoria de cor ou raça indígena apresentam comportamento bastante distinto das demais categorias de cor ou raça, com predominância de títulos de mestrado e de doutorado sempre mais elevados para homens. Para titulações de mestrado e de doutorado, os últimos cinco anos da série histórica apontam para volumes mais próximos de títulos entre homens e mulheres indígenas, embora ainda seja observado um número maior de títulos para homens. No período de 1996 a 2021, foram 1.071 títulos de mestrado para mulheres indígenas e 1.292 para homens indígenas; no doutorado, foram 340 títulos para mulheres indígenas e 570 títulos para homens indígenas.

No decorrer do período de 1996 a 2021, a participação de mulheres na titulação de mestrado e doutorado por cor ou raça foi se acentuando a cada ano, mas com diferenciais entre mestrado e doutorado e nas categorias de cor ou raça. A maior participação feminina no sistema de pós-graduação nacional está condicionada à predominância da categoria cor ou raça branca. Dois aspectos chamam a atenção na relação entre sexo e cor ou raça no sistema de pós-graduação: a defasagem de mais de uma década para mulheres pretas e pardas apresentarem maior número de titulações que homens, como ocorre com mulheres brancas, e as fortes desigualdades por sexo dentro das categorias raciais preta no doutorado (na qual as titulações de mulheres não são maiores que a dos homens) e na indígena, em que essa situação ocorre no mestrado e no doutorado.

Número de titulados, por cor ou raça e sexo, 1996-2021

Considerando o número de titulações por cor ou raça, segundo sexo, na população brasileira, fica evidente a interseccionalidade por sexo e raça na pós-graduação (gráfico 8.2.2). Para homens mestres, em 2010, havia 24 homens brancos mestres por 100 mil habitantes, sendo que na população parda e preta esse indicador era de 7 homens pardos e 8 homens pretos mestres por 100 mil habitantes. Na população feminina, havia 17 mulheres brancas mestres por 100 mil habitantes, contra 7 mulheres pardas e 9 mulheres pretas mestres por 100 mil habitantes.

Quando a comparação é entre homens e mulheres nas respectivas populações por cor ou raça, prevaleceu, em 2010, a maior presença de homens de cor ou raça branca (24 titulados no mestrado por 100 mil homens), se comparada com mulheres brancas (17 tituladas por 100 mil mulheres) e homens de cor ou raça indígena (11 homens mestres por 100 mil habitantes contra 7 mulheres mestres de cor ou raça indígena por 100 mil mulheres). Na população amarela, a presença de mestres na população era em torno de 20 mestres homens por 100 mil e 25 mulheres mestres por 100 mil.

Em 2021, com o forte incremento de titulações, houve predomínio da presença de mulheres mestres em todas as categorias de cor ou raça, com diferenciais expressivos entre as categorias. Nas titulações do mestrado, em 2021, havia 43 mulheres brancas mestres por 100 mil mulheres, contra 18 mulheres pardas mestres por 100 mil; 16 mulheres indígenas, 25 mulheres pretas e, no caso da população amarela – dada sua redução em números absolutos –, a presença de mulheres mestres amarelas chega a 101 por 100 mil mulheres.

Para as titulações no doutorado, em 2010 e em 2021, os diferenciais entre a presença de homens e mulheres por cor ou raça nas respectivas populações são bastante próximos, prevalecendo as desigualdades entre as categorias de cor ou raça tanto para homens doutores quanto para mulheres doutoras. De fato, em 2010, a população branca feminina contava com 8 doutoras por 100 mil mulheres, passando para 16 doutoras brancas por 100 mil mulheres, em 2021. Na população de mulheres pardas e pretas, em 2010, eram cerca de 2 doutoras por 100 mil mulheres, passando para cerca de 5 doutoras por 100 mil mulheres, em 2021. Nota-se também que, na população indígena, no período de 2010 a 2021, a presença de doutores mantém-se muito semelhante, com 5 homens indígenas por 100 mil habitantes e crescimento de 3 para 4 mulheres indígenas doutoras por 100 mil mulheres. No caso da população amarela, o indicador é influenciado pela redução no número absoluto de sua população e, portanto, apresenta 32 homens amarelos por 100 mil habitantes, em 2021, contra 40 mulheres amarelas doutoras por 100 mil mulheres.

Número de titulados por 100 mil habitantes no Brasil, segundo cor ou raça e sexo, 2021

As idades médias na titulação de mestres e doutores por cor ou raça se assemelham ao longo do período de 1996 a 2021, com a média de idade de 33 anos no mestrado e em torno de 37 anos no doutorado (gráfico 8.2.3).

Nas titulações de mestres por cor ou raça, a série histórica inicia com cerca de 32 anos para cor ou raça branca, preta, parda, indígena e 30 anos para amarela. Nos anos posteriores, há oscilações nas idades médias ao titular, em torno de um ano para mais ou para menos, sendo que, com a pandemia de Covid-19, os dois últimos anos marcam um patamar próximo a 34 anos para titulações de cor ou raça branca, preta, parda e amarela e de 35 anos para indígena.

No doutorado, as idades médias ao titular por cor ou raça oscilam entre 37 e 39 anos. As titulações de doutorado de cor ou raça amarela ocorreram com idades menores, em torno de 35 a 37 anos, no decorrer do período, sendo as titulações mais envelhecidas aquelas de cor ou raça indígena, chegando próximo dos 40 anos no pós-pandemia.

As médias de idade por cor ou raça na titulação de mestres e doutores são bastante elevadas, acima dos 30 anos para o mestrado e próximo aos 37 anos no doutorado. Nesse último caso, somente as titulações da cor ou raça amarela apresentaram diminuição, passando de 38 anos, em 1996, para 35 anos, em 2018, e mesmo com a pandemia apresentou a menor idade média, de 36 anos, em 2021, se comparada às titulações de doutorado da cor ou raça branca (37 anos), preta (38 anos), parda (37 anos) e indígena (39 anos) nesse mesmo ano.

Idade média dos titulados, por cor ou raça, 1996-2021

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