6.3 Tempo de titulação e emprego

Gráfico 6.3.1 apresenta a evolução da taxa de emprego formal41 dos indivíduos que obtiveram títulos de mestrado ou de doutorado nas modalidades acadêmica e profissional no período 2009-2021. Como grande parte das contratações de mestres e especialmente de doutores é resultado de processos complexos e muito demorados, a probabilidade desses indivíduos obterem emprego está relacionada com o número de anos decorridos desde suas respectivas titulações. Ademais, o processo de expansão acelerada do número de titulados em muitas das categorias aqui analisadas faz com que as populações de mestres e de doutores42 a cada ano tenham presença cada vez maior de titulados nos anos que antecedem o ano da medida da taxa de emprego formal. Por isso, optou-se por examinar as taxas de emprego estratificando-se as populações de mestres e doutores pelas coortes dos indivíduos que obtiveram seus títulos 2, 5 e 10 anos antes do ano ao qual se refere a taxa.

Alguns fatos marcantes se destacam da análise das médias das taxas de emprego formal observadas no período 1999-2021 para as diversas categorias de mestres:

  • A média das taxas de emprego formal de mestres profissionais titulados há 2 anos (79,0%) é a mais elevada de todas as categorias de mestres;
  • É muito grande a diferença entre essa média e a média de emprego formal dos mestres acadêmicos titulados há 2 anos (58,3%);43
  • No caso dos mestres acadêmicos, a média da taxa de emprego formal dos titulados há 5 anos (68,6%) é quase 10 pontos percentuais superior à dos titulados há 2 anos (58,3%), mas mantém-se praticamente estável entre os titulados há 5 anos e os titulados há 10 anos (68,3%); e
  • Entre os mestres profissionais, há um inesperado declínio entre a média da taxa de emprego formal dos titulados há 2 anos (79,0%), dos titulados há 5 anos (74,8%) e dos titulados há 10 anos (62,9%).
  • A taxa média de emprego formal dos mestres acadêmicos só supera a taxa média dos mestres profissionais para os titulados há 10 anos.

A análise das tendências das curvas que representam as taxas anuais de emprego formal de mestres permite observar que os mestres profissionais parecem estar demonstrando maior resiliência ao esfriamento do mercado de trabalho de mestres ocorrido nos últimos anos do que os mestres acadêmicos.

41 Ver a definição de “Taxa de emprego formal” no Glossário. Veja também o verbete sobre “Taxa de desemprego” onde se explica porque não é possível tomar o complemento da taxa de emprego formal como uma taxa de desemprego.
42 Ver a definição de “População de mestres” e “População de doutores” no Glossário.
43 Merece investigação posterior a possibilidade de essa diferença tão significativa poder ser explicada pelo fato de a proporção de mestres, que já estavam empregados durante a realização do curso, ser maior no caso dos mestres profissionais do que no dos acadêmicos.
Mestres e doutores acadêmicos e profissionais: Taxa de emprego formal, dois, cinco e dez anos após a titulação, 2009-2021

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