6.6 Natureza jurídica do emprego de M&D acadêmicos e profissionais

O gráfico 6.6.1 apresenta a distribuição percentual dos mestres e dos doutores acadêmicos e profissionais, que possuíam emprego formal em 2009 e 2021, pelas naturezas jurídicas dos estabelecimentos que os empregavam naqueles anos.

A análise do gráfico e da tabela de dados, que serve de base para sua construção, permite perceber alguns fatos que merecem destaque.

O emprego de mestres acadêmicos em estabelecimentos das 4 naturezas jurídicas, que mais empregavam mestres em 2009 – Administração pública federal, Administração pública estadual, Entidades empresariais privadas e Entidades sem fins lucrativos – apresentava distribuição mais ou menos homogênea no ano de 2009. Eram pequenas as diferenças de participação entre elas. As maiores empregadoras de mestres acadêmicos, as Entidades sem fins lucrativos, empregavam 24% desses profissionais, enquanto a quarta maior empregadora foi a Administração pública federal com 20% do total desses mestres. Parece surpreendente o fato de as Entidades sem fins lucrativos terem sido as maiores empregadoras de mestres acadêmicos em 2009, mas tal fato deve ser explicado pela elevada proporção (44%) desses mestres empregados na atividade Educação, como visto na seção 6.4, e pela importância de instituições de ensino sem fins lucrativos no emprego de professores titulados em mestrados acadêmicos.

A distribuição do emprego de mestres profissionais em 2009 era muito mais desigual do que a dos acadêmicos. As Entidades empresariais privadas eram responsáveis por 35% dos empregos dos mestres profissionais, enquanto a quarta natureza jurídica que mais os empregava era a Administração pública estadual, que respondia apenas por 13% do emprego desses mestres.

O fato de as Entidades empresariais privadas terem sido as maiores empregadoras de mestres profissionais em 2009 parece coerente com a expectativa de que os mestres não acadêmicos viessem a ser mais facilmente absorvidos por empresas. Contudo, é curioso perceber que, no ano de 2021, passou a ser menos concentrada a distribuição do emprego de mestres profissionais pelas 4 naturezas jurídicas, que mais os empregavam, e que a Administração pública estadual e a Administração pública federal, responsáveis emprego de respectivamente 24% e 22% desses mestres, tenham passado a ser seus maiores empregadores. Entre 2009 e 2021, a proporção de mestres profissionais empregados pelas Entidades empresariais privadas caiu de 35% para 21% do total.

No caso dos mestres acadêmicos, a distribuição do emprego manteve-se, entre 2009 e 2021, sem diferenças muito grandes nas proporções de emprego nas categorias de natureza jurídica, que mais os empregavam. Contudo, é interessante perceber que as Entidades sem fins lucrativos, que lideravam o emprego dos mestres acadêmicos em 2009 (24%), passaram a assumir o quinto lugar entre as naturezas jurídicas que mais os empregavam em 2021 (14%). Também vale a pena chamar atenção para o fato de que as Entidades empresariais privadas, que apareciam em terceiro lugar entre as maiores empregadoras em 2009 (21%), assumiram a liderança do emprego de mestres acadêmicos em 2021 (25%).

Enquanto a maior proporção (um pouco mais de um quinto) dos mestres acadêmicos estava empregada em Entidades empresariais privadas no ano de 2021, apenas 12% dos doutores acadêmicos estavam empregados nessas entidades no mesmo ano. Contudo, tal proporção representou um significativo aumento em relação à proporção de doutores acadêmicos empregados nas empresas em 2009, que foi de apenas 8%. Cerca de dois terços dos doutores acadêmicos eram empregados em entidades das administrações públicas federais e estaduais tanto em 2009, quanto em 2021, sendo que as federais eram responsáveis por cerca do dobro do emprego das estaduais. Certamente, a maioria absoluta dos doutores empregados nas entidades públicas federais e estaduais trabalhavam em universidades públicas.

Como não havia doutores profissionais empregados em 2009 e o número desses havia chegado a apenas 43 em 2021, não faz sentido analisar a distribuição de seu emprego pelas diversas naturezas jurídicas das entidades que os empregavam. Vale a pena lembrar que nesse último ano o número de doutores acadêmicos empregados havia chegado a 318.499 indivíduos.48

48Tabela D.EMP.01.
Distribuição de empregados por natureza jurídica do estabelecimento empregador, 2009 e 2021 (%)

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