7.8 Remuneração por sexo

Como visto no capítulo 5, há muitos anos as mulheres deixaram de ser minoria entre os titulados no Brasil, mas ainda não emergiu uma tendência firme de redução das diferenças de remuneração entre homens e mulheres mestres ou doutores com emprego formal.

Em 2009, as mulheres com título de mestrado e com emprego formal recebiam em média R$ 11.310,79 (em valores constantes de dezembro de 2021) de remuneração mensal, valor 28,1% menor do que os recebidos pelos mestres homens. Nesse mesmo ano, a remuneração das mulheres doutoras foi de R$ 16.303,10, um valor 15,0% inferior ao dos doutores homens. Como se percebe pela análise das remunerações do ano de 2009, a diferença entre as remunerações de mulheres e homens era significativamente menor no caso dos empregados titulados em cursos de doutorado do que nos titulados em cursos de mestrado.

Em 2021, a remuneração média das mulheres com mestrado foi de R$ 10.033,95, valor 11,3% inferior ao prevalente em 2009. A diferença entre as remunerações de homens e mulheres com título de mestrado não se alterou significativamente entre 2009 e 2021. As mulheres ganhavam 28,1% menos do que os homens no ano de 2009, enquanto tal diferença chegou a ser de 26,7% em 2021.

No caso dos titulados em cursos de doutorado, a remuneração média das mulheres em 2021 foi de 14.782,68, 9,3% menos do que era em 2009. Em 2009, as mulheres doutoras recebiam remuneração 15% menor do que os homens doutores. No ano de 2021, tal diferença havia aumentado para 16,4%.

Diferença entre a remuneração mensal média de mulheres e homens no Brasil, 2009-2021 (%)

No ano de 2021, não havia grande área do conhecimento na qual as mulheres com mestrado ou doutorado recebiam remuneração mensal média igual ou superior à dos homens. Em todas as grandes áreas do conhecimento as mulheres com títulos de mestrado e de doutorado recebiam remuneração média inferior às dos seus pares homens no ano de 2021, como mostra o gráfico 5.6.1. A diferença da remuneração das mulheres era mais elevada entre os titulados no mestrado do que no doutorado em todas as grandes áreas do conhecimento.

Em 2021, as menores diferenças ocorriam entre os titulados na grande área da Linguística, letras e artes, na qual entre os portadores de títulos de mestrado, as mulheres tinham remuneração em média 3,4% menor do que os homens e, no caso dos portadores de título de doutorado, essa diferença era de 2,9%. Contudo, é importante lembrar que essa é a grande área que apresenta as mais baixas remunerações médias55.

As maiores diferenças de remuneração das mulheres em comparação à dos homens ocorriam nas grandes áreas das Ciências agrárias e das Ciências sociais aplicadas. Nessas grandes áreas as mulheres recebiam remunerações que eram respectivamente 29,7% e 28,8% menores do que as dos homens, no caso dos mestres, e 21,7% e 20,8%, no caso dos doutores. As Ciências sociais aplicadas é a grande área na qual mestres e doutores recebem em média as maiores remunerações. No entanto, é importante notar que a grande área das Ciências agrárias, que apresentou a mais elevada diferença de remuneração entre homens e mulheres com títulos de mestrado e de doutorado empregados, não era caracterizada por uma remuneração particularmente elevada. A remuneração média dos titulados nessa grande área era inferior à da média dos titulados em todas as grandes áreas no caso dos mestres e muito próxima à média dos indivíduos com doutorado.

Na grande área das Engenharias, as diferenças de remuneração das mulheres com mestrado (26,6%) e com doutorado (16,4%) são praticamente idênticas às diferenças existentes para os totais de mestres e de doutores titulados em todas as grandes áreas.

55 Veja gráfico 7.4.1
Mestres e doutores: Diferença entre a remuneração mensal média de mulheres em relação à dos homens por grande área do conhecimento, 2021 (%)

As diferenças das remunerações das mulheres em relação às dos homens com títulos de mestrado e de doutorado também variam significativamente em função dos setores de atividade econômica nos quais estão empregados, como mostra o gráfico 7.8.3. Esse gráfico apresenta tais diferenças nas 5 seções da CNAE que mais empregam mestres e doutores – Educação; Administração pública, defesa e seguridade; Saúde humana e serviços sociais; Atividades profissionais, científicas e técnicas; e Indústrias de transformação – assim como para o conjunto dos empregados em todos os setores de atividade econômica.

Na seção Educação, as diferenças são menores. Nesse setor, as mulheres com título de mestrado receberam, em média, 14,0% a menos que os homens com mestrado no ano de 2021, enquanto tal diferença foi de 11% no caso dos indivíduos com doutorado. As diferenças são maiores na Indústria de transformação, onde as mulheres com mestrado ou com doutorado empregadas nesse setor receberam, em média, 35,0% menos que os homens.

Mestres e doutores: Diferença entre a remuneração mensal média das mulheres em relação à dos homens nas 5 seções da CNAE que mais empregam mestres e doutores e na média de todas as atividades, 2021 (%)

Entre os mestres e os doutores, as mulheres receberam no ano de 2021 remunerações significativamente inferiores às dos homens no Brasil como um todo e em cada uma das regiões brasileiras, como pode ser visto no gráfico 7.8.4. As diferenças de remuneração eram muito mais elevadas entre mestres do que entre doutores.

A Região Sul foi onde as mulheres com mestrado recebiam remuneração média que correspondiam à menor proporção daquela recebida pelos seus pares homens. Nessa região, as mulheres com mestrado recebiam remuneração em média 28,4% menores do que os homens com a mesma titulação. Essa diferença foi menor na Região Norte, onde as mulheres com mestrado recebiam 18,8% menos do que os homens com a mesma qualificação.

No caso dos indivíduos com doutorado, a Região Norte também era aquela com a menor diferença (-9,3%) na remuneração das mulheres. A Região Sudeste foi aquela na qual, em 2021, houve a maior diferença (-18,2%) na remuneração das mulheres em relação à dos homens com doutorado.

Mestres e doutores: Diferença entre a remuneração mensal média de mulheres em relação à dos homens por Região e no Brasil, 2021 (%)

As remunerações de homens e mulheres com títulos de mestrado e de doutorado apresentaram grandes variações entre as diversas unidades da Federação brasileira no ano de 2021. As amplitudes dessas diferenças percentuais entre as remunerações de homens e mulheres com títulos de mestrado e de doutorado foram respectivamente de 25,5 e 14,5 pontos percentuais entre as unidades da Federação que apresentaram as maiores e as menores diferenças.

O Estado do Rio Grande do Sul foi a unidade da Federação que apresentou em 2021 a maior diferença entre a remuneração das mulheres e dos homens com título de mestrado. Nesse estado as mulheres com título de mestrado tinham remuneração em média 29,4% inferior à dos seus pares homens. Tal diferença foi um pouco mais de 28,0% nos estados do Espírito Santo, Paraná e São Paulo. Essa diferença era menor nos estados do Acre (-3,9%) e do Amapá (-7,8%).

O Distrito Federal foi a unidade da Federação que apresentou a maior diferença entre as remunerações de mulheres e homens com título de doutorado em 2021 (-22.3%). Essa diferença de remuneração entre as remunerações médias de mulheres e homens com título de doutorado foi mais reduzida nos estados do Acre (-8,3%) e do Pará (-7,8%).

Mestres e doutores: Diferença entre a remuneração mensal média de mulheres em relação à dos homens por unidade da Federação e no Brasil, 2021 (%)

© 2024 CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos