8.4. Emprego formal e cor ou raça

A evolução do emprego formal de profissionais com titulação de mestrado e doutorado por cor ou raça, com títulos a partir de 1996, nos anos de 2009 a 2021, pode ser observada no gráfico 8.4.1.

O número de profissionais de cor ou raça preta com titulação de mestrado passou de 4.201, em 2009, para 20.756, em 2021, e, no doutorado, de 1.454 para 7.961. Profissionais de cor ou raça parda com mestrado eram 20.068, em 2009, e 84.926, em 2021, sendo que, entre doutores, em 2009, 7.207 eram empregados formais e, em 2021, eram 36.315. Profissionais de cor ou raça indígena com mestrado passaram de 282, em 2009, para 955, em 2012, e aqueles com doutorado passaram de 192 para 609. Por fim, profissionais de cor ou raça amarela passaram de 1.646 empregados formais com mestrado, em 2009, para 4.821, em 2021; e para os doutores, de 1.251, em 2009, para 3.509, em 2021. A cor ou raça amarela é a que apresenta maior simetria no número de empregados formais entre mestrado e doutorado: 4.821 empregados com titulação de mestrado, em 2021, e 3.509 empregados com doutorado; nas demais categorias raciais, os empregados formais com titulação de mestrado apresentam volumes superiores em comparação aos profissionais com doutorado.

A maior absorção de profissionais com titulação da cor ou raça branca no mercado formal de trabalho reflete a própria concentração das titulações nessa categoria racial, no total das titulações, correspondendo, no ano de 2009, a mais de 75% no mestrado e 81% no doutorado dos empregos formais (excluindo a categoria sem declaração do total). Ao longo do período, a participação dos empregados formais com mestrado e doutorado de cor ou raça branca diminui levemente, chegando, em 2021, a representar 65% dos empregados com mestrado e 74% com doutorado de cor ou raça branca.

Os empregados formais de cor ou raça preta com mestrado representavam 4% do total, em 2009, passando para 6%, em 2021; os empregados formais de cor ou raça parda com mestrado passaram de 19% do total, em 2009, para 26%, em 2021; nas categorias de cor ou raça indígena e amarela, as participações de empregados formais com mestrado permaneceram em torno de 0,3% e 1,5%, respectivamente, ao longo de 2009 a 2021.

Apesar da forte concentração de empregados formais com mestrado e doutorado de cor ou raça branca, a expansão da titulação nas demais categorias raciais se refletiu num ritmo maior de crescimento de empregados formais com mestrado para cor ou raça preta (14% ao ano no período de 2009 a 2021), parda (13% ao ano), indígena (11% ao ano) e amarela (9% ao ano), em comparação com os mestres empregados de cor ou raça branca (8,5% ao ano). O emprego formal dos doutores seguiu a mesma tendência, com taxas de crescimento superiores para titulados de cor ou raça preta (15% ao ano), parda (14% ao ano) e indígena (11% ao ano), quando comparadas às dos titulados de cor ou raça branca (9,6% ao ano), sendo a taxa de crescimento de emprego dos doutores de cor ou raça amarela (8,9% ao ano) a que apresentou o menor valor.

Houve importante expansão dos empregos formais de mestres e doutores nas categorias de cor ou raça preta, parda e indígena, com maiores taxas de crescimento do emprego, a despeito da maior concentração dos empregados formais com mestrado e doutorado na categoria de cor ou raça branca, denotando que o mercado de trabalho formal no Brasil é capaz de absorver as diferentes categorias étnico-raciais altamente qualificadas (com mestrado e doutorado), conduzindo a impactos importantes na busca da equidade racial no país.

Número de empregados formais, por cor ou raça, 2009-2021

A análise do emprego formal de mestres, segundo a cor ou raça, após dois anos da titulação, indica tendência de queda para todas as categorias, com exceção dos mestres de cor ou raça indígena, que tiveram discreto aumento de 0,2 ponto percentual em 2021. Ainda assim, continuavam sendo os que apresentavam a menor taxa de emprego formal no início e no final da série.

Nota-se também diminuição das diferenças nas taxas de emprego formal entre as categorias: 52,9% para indígenas, 55,7% para amarelos, 57,2% para brancos, 61,8% para pretos e, por fim, 63,2% para pardos, que apresentaram a maior taxa.

Com cinco anos de titulação, as taxas de emprego de todas as categorias tendem a aumentar, em comparação aos que se titularam há menos tempo. No entanto, ao longo da série de 1996 a 2021, observa-se tendência de queda. Em 2021, pardos (72,9%) e pretos (70,5%) apresentaram as maiores taxas de emprego formal, seguidos por indígenas (66,4%), brancos (65,1%) e amarelos (61,2%).

A análise do emprego formal após dez anos de titulação mostra, novamente, tendência de aumento das taxas em comparação ao emprego após cinco anos da titulação. No entanto, a queda na taxa de emprego no período foi significativa para pardos: mais de 10 pontos percentuais (de 85,3%, em 2009, para 74,8%, em 2021). Ainda assim, as maiores taxas observadas em 2021 foram as de pardos (74,8%) e pretos (75,8%).

Para os doutores — dois, cinco ou dez anos após a titulação —, observa-se a mesma tendência de queda na taxa de emprego formal ao longo do período, embora com taxas de emprego superiores aos dos mestres. Na série que analisa o emprego dois anos após a titulação, em 2021, pardos (71,2%) e pretos (69,9%) novamente apresentaram as maiores taxas de emprego. Indígenas mantêm as menores taxas e oscilam ao longo do período, em parte devido ao pequeno número de doutores dessa categoria.

A análise do emprego de doutores, em 2021, mostra diferença da taxa de emprego cinco anos após a titulação, em comparação aos recém-doutores (dois anos após a titulação): de 66,8% e 72,5%. Em ambas as taxas, exclui-se a categoria sem declaração. Para doutores da cor ou raça indígena, houve queda de quase 30 pontos percentuais na taxa de emprego entre 2009 e 2021, após cinco anos de titulação. Por fim, entre os titulados há dez anos, observa-se aproximação entre as categorias quanto à taxa de emprego, com diferença, em 2021, de apenas 5 pontos percentuais entre a menor taxa, brancos (78,2%), e a maior taxa, pretos (83,7%).

Taxa de emprego formal, dois, cinco e dez anos após a titulação, por cor ou raça e sexo, 2009-2021 (%)

A evolução do emprego formal para mestres e doutores, segundo homens e mulheres por cor ou raça, reflete a própria concentração de titulações de cor ou raça branca no sistema de pós-graduação nacional (gráfico 8.4.3). Porém, no caso dos empregos formais, nota-se maior presença de mulheres para todas as categorias de cor ou raça, à exceção dos empregos formais para mestres indígenas. O número de mestres homens brancos empregados passou de 37.242 mil, em 2009, para 93.697, em 2021; entre mulheres brancas empregadas, que tinham título de mestrado, os valores foram 42.572 e 118.323, respectivamente. Nos empregos formais de mestres homens de cor ou raça preta, em 2009, havia 2.059 vínculos, chegando a 9.468; os empregos formais de mestres homens de cor ou raça parda eram 9.838, em 2009, passando para 38.979, em 2021; entre mulheres de cor ou raça parda com emprego formal, que tinham título de mestrado, o número foi de 10.227, em 2009, chegando a 45.944, em 2021. Os empregos formais de mestres homens de cor ou raça amarela, em 2009 e 2021, eram 754 e 1.998, respectivamente; e de mulheres, 892 empregos formais, em 2009, e 2.823, em 2021. As titulações de mestres homens de cor ou raça indígena, em 2009, eram 154 empregados formais contra 128 para mulheres; em 2021, eram 492 mestres homens indígenas empregados formais e 463 mulheres.

O ritmo de crescimento (% ao ano) do emprego de mestres homens e de mestres mulheres, segundo cor ou raça, aponta também para taxas mais elevadas para mulheres, considerando o período de 2009 a 2021, além da maior intensidade no ritmo de crescimento dos vínculos de empregos formais para as categorias não branca. As taxas de crescimento do emprego formal para homens mestres foram mais elevadas para indivíduos de cor ou raça preta (13,6% ao ano), parda (12,2% ao ano), indígena (10,2% ao ano) e amarela (8,5% ao ano), se comparadas ao ritmo de crescimento do emprego formal para aqueles de cor ou raça branca, que foi de 8% ao ano. A mesma tendência se observa para o emprego formal para mulheres mestres, além de taxas mais altas, se comparadas às taxas de crescimento para homens mestres: 8,9% ao ano para o emprego formal de mulheres de cor ou raça branca; 14,9% ao ano para mulheres de cor ou raça preta; 13,3% ao ano para mulheres de cor ou raça parda; 11,3% ao ano para mulheres mestres de cor ou raça indígena; e 10,1% ao ano para mulheres mestres de cor ou raça amarela.

Para o emprego formal de indivíduos com doutorado, em 2009, os volumes eram maiores para homens nas categorias de cor ou raça preta (831 doutores homens empregados contra 623 mulheres), parda (3.934 doutores homens e 3.273 mulheres), indígena (127 e 65, respectivamente), enquanto nas demais categorias os volumes apresentados pelas mulheres foram maiores para cor ou raça branca (22.461 homens doutores e 22.476 doutoras empregadas), e amarela (617 e 634, respectivamente). Para o ano de 2021, é de se destacar que tal tendência se mantém com maiores volumes de emprego formal para doutores homens em comparação aos vínculos das mulheres nas categorias de cor ou raça preta (4.172 doutores homens empregados e 3.789 doutoras), parda (18.372 homens contra 17.943 mulheres) e indígena (390 homens e 219 mulheres); na categoria cor ou raça branca, foram 63.780 doutores homens empregados e 71.791 mulheres; e na categoria cor ou raça amarela, 1.580 e 1.929, respectivamente.

As taxas de crescimento anual do emprego formal para titulados com doutorado, segundo cor ou raça, também foram mais elevadas para mulheres em todas as categorias de cor ou raça, considerando os anos de 2009 e 2021, com maior intensidade para mulheres de cor ou raça preta (16,2% ao ano contra 14,4% ao ano para homens doutores), parda (15,2% ao ano e 13,7% ao ano, respectivamente), indígena (10,7% ao ano e 9,8% ao ano), branca (10,2% ao ano e 9,1% ano) e amarela (9,7% ao ano e 8,1% ao ano).

O ritmo de crescimento do emprego formal, para todas as categorias de cor ou raça, foi mais elevado no doutorado, tanto para homens quanto para mulheres pretos, pardos e brancos, indicando aumento nas titulações nessas categorias e na demanda de um mercado de trabalho com forte absorção de doutores.

Distribuição dos empregados por cor ou raça, 2009-2021* (%)

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