8.6 Remuneração, cor ou raça e sexo - 8.6 Remuneração, cor ou raça e sexo
2024
8.6 Remuneração, cor ou raça e sexo
O gráfico 8.6.1 apresenta a comparação das remunerações dos mestres no período de 2009 a 2021. Observa-se redução das remunerações médias para todas as categorias de cor ou raça nesse período, em valores constantes de 2021. Em 2009, a categoria cor ou raça branca com mestrado recebia remuneração média mensal de R$ 12.661,46 e a amarela, de R$ 12.883,56. Para titulados de cor ou raça preta, o valor era de R$ 10.348,10; para parda, R$ 11.729,61; e indígena, R$ 10.849,75. As remunerações médias mensais, em 2021, para vínculos de empregos formais com mestrado, alcançaram R$ 10.746,47 para titulados de cor ou raça branca; R$ 9.284,89 para preta; R$ 10.220,10 para parda; R$ 10.548,86 para amarela; e R$ 9.418,55 para indígena. As maiores reduções se deram para os mestres das categorias de cor ou raça amarela e branca, que ainda mantiveram as maiores remunerações médias.
Para os doutores, também houve queda das remunerações para todas as categorias de cor ou raça no período de 2009 a 2021, mas com reduções percentuais inferiores às de mestres. A maior redução se deu para brancos, 9,2%. Indígenas tiveram a menor redução, cerca de 1%, e continuaram com a maior remuneração média em comparação às demais categorias. Em 2021, as remunerações médias mensais, segundo cor ou raça, para os empregados formais com doutorado foram de R$ 16.123,04 para doutores de cor ou raça branca; R$ 16.190,81 para indígena; R$ 16.039,47 para parda; R$ 15.842,13 para amarela; e R$15.084,02 para preta.
A remuneração média mensal de mestres e doutores com emprego formal apresentou redução para todas as categorias de cor ou raça. Para mestres, as maiores quedas se deram para cor ou raça branca (15,1%) e amarela (18,1%), mantendo essas categorias, ainda assim, as maiores médias de remuneração entre mestres. Doutores tiveram quedas de remuneração menores do que mestres, com maior redução para brancos e pretos, 9,2% e 8,9%, respectivamente.
Remuneração mensal média por cor ou raça, 2009 e 2021 (R$ constantes)
Os diferenciais de remuneração média mensal com titulação de mestrado ficam mais evidentes quando se compara, ainda para o ano de 2021, a remuneração média de todas as categorias de cor ou raça com a branca, considerada como 100% (gráfico 8.6.2). As remunerações, analisadas em relação à média recebida por mestres da cor ou raça branca, são 98,6% para cor ou raça amarela, 94,4% para pardos, 92,6% para indígenas e 86,4% para cor ou raça preta. Os doutores de cor ou raça indígenas têm remuneração média de 100,4% da remuneração de brancos. Pardos recebiam 99,5%; amarelos, 98,3%; e pretos, 93,5% da remuneração de doutores de cor ou raça branca. Pode-se observar que, com exceção dos doutores de cor ou raça indígena, as demais categorias ficam abaixo da remuneração média mensal da categoria cor ou raça branca. Outra exceção cabe para os vínculos de empregos formais de mestres e doutores sem declaração de cor ou raça, que, em 2021, chegam a receber 40% e 6% a mais, respectivamente. Esses estão, possivelmente, fora do mercado de trabalho formal da educação. Essa hipótese é fortalecida pela análise de distribuição de mestres e doutores segundo as atividades econômicas de seus empregadores (gráfico 8.5.2), onde se vê menor participação do grupo sem declaração de cor ou raça na seção Educação e maior na Indústria de transformação, por exemplo.
A assimetria de remuneração é menor entre doutores do que entre mestres. Com exceção dos doutores indígenas, as demais categorias de cor ou raça recebem remuneração média mensal abaixo da categoria cor ou raça branca. As maiores assimetrias foram observadas entre a cor ou raça preta em relação à branca, com diferenças a menos de 13,4% para mestres e 6,4% para doutores.
Remuneração mensal média por cor ou raça, em índice relativo à cor branca (100%), 2009-2021 (R$ constantes)
A remuneração média mensal para mulheres em todas as categorias de cor ou raça é menor que a recebida por homens (gráfico 8.6.3), em 2021.
Nos vínculos de empregos formais para mulheres mestres brancas, o diferencial de remuneração é 25% menor (R$ 9.330,96) em relação à remuneração dos homens brancos (R$ 12.459,97). Para mulheres mestres de cor ou raça amarela, esse diferencial é de 23% (R$ 12.226,19 para homens de cor ou raça amarela e R$ 9.368,00 para mulheres).
Mulheres pretas com mestrado têm remuneração média mensal 15% inferior à de homens pretos mestres (R$ 8.595,87 contra R$ 10.110,78, respectivamente). Para mulheres pardas com mestrado, a remuneração (R$ 9.127,16) apresenta um diferencial de 21% a menos em relação à remuneração média de homens pardos (R$ 11.513,53).
A remuneração média mensal nas titulações de mestrado e de doutorado para a categoria cor ou raça indígena apresenta cerca de 7,5% a menos para mulheres (R$ 9.040,87) em relação à remuneração de homens (R$ 9.771,11). Diferença que persiste também na remuneração de mulheres com doutorado, com valor de R$ 15.367,44 para mulheres doutoras indígenas e R$ 16.645,39 para homens doutores indígenas.
Nas titulações de doutorado, os diferenciais de remuneração são menores, embora persistam diferenças em torno de 15% a menos para mulheres de cor ou raça branca (R$ 14.756,64 contra R$ 17.657,98 para homens), amarela (R$ 14.630,90 para mulheres e R$ 17.312,36 para homens), parda (R$ 14.759,64 para mulheres e R$ 17.284,26 para homens) e de 9,7% a menos na remuneração de mulheres pretas (R$ 14.273,25 e R$ 17.657,98).
Chamam atenção as remunerações médias mensais na categoria sem declaração de cor ou raça, com diferencial de remuneração que chega a 31% no mestrado (R$ 12.325,60 para mulheres e R$ 17.783,84 para homens) e 19% no doutorado (R$ 15.090,97 para mulheres e R$ 18.731,53 para homens).
Por fim, a análise comparativa entre mulheres mostra que, para vínculos de empregos formais com mestrado, a remuneração média mensal, em 2021, nas diferentes categorias de cor ou raça, foi inferior aos de mulheres brancas. No doutorado, é possível verificar que a remuneração de mulheres doutoras pardas equivale à das brancas. A remuneração das indígenas é a única que supera, em 4%, a remuneração de mulheres brancas.
O diferencial de rendimento entre homens e mulheres com alta escolaridade, no século XXI, por cor ou raça, é revelador das enormes desigualdades por sexo no país. Mulheres mestres e doutoras de cor ou raça branca e amarela apresentam as maiores diferenças salariais em relação aos homens. Embora ainda com diferenças de remuneração média mensal, nas titulações de cor ou raça indígena no mestrado e no doutorado, as remunerações médias mensais são mais equitativas entre homens e mulheres.