8.7 Remuneração, atividade econômica e área do conhecimento

A maior remuneração média mensal (valores correntes em reais) em 2021, de mestres da categoria cor ou raça preta ocorre nas Engenharias (gráfico 8.7.1), com R$ 11.570,49. Contudo, nessa grande área, a remuneração média mensal só ultrapassa a da categoria indígena (R$ 11.041,57). Empregados formais com mestrado da categoria parda apresentam sua maior remuneração média mensal nas Ciências sociais aplicadas (R$ 12.198,54), valor inferior ao da categoria branca (R$ 13.231,67 — o mais alto entre os brancos nas grandes áreas) e da amarela (R$ 12.648,98 — também o maior entre os amarelos nas grandes áreas). Entre os empregados formais com mestrado da categoria indígena, a maior remuneração média mensal ocorre nas Ciências exatas e da terra (R$ 11.617,56), próxima à das categorias branca (R$ 11.723,48), parda (R$ 11.255,86) e amarela (R$ 11.498,00). Nessa grande área, a menor remuneração média mensal é da categoria preta (R$ 10.580,63). No que se refere às remunerações médias mensais de mestres da categoria amarela, os valores são, em geral, semelhantes aos da branca nas diversas grandes áreas do conhecimento, com exceções das Ciências sociais aplicadas (R$ 12.648,98 para a amarela contra R$ 13.231,67 para a branca) e na grande área Multidisciplinar (R$ 8.919,72 para a amarela contra R$ 9.788,53 para a branca).

No doutorado, observa-se menor assimetria entre as remunerações médias mensais por cor ou raça, e a categoria branca nem sempre apresenta os maiores valores em cada grande área. A maior remuneração média mensal de doutores brancos foi registrada nas Ciências sociais aplicadas (R$ 18.181,87), porém, nessa mesma grande área, a remuneração média mensal dos doutores indígenas foi ainda maior (R$ 18.534,39). A maior remuneração média mensal de doutores pretos ocorreu nas Engenharias (R$ 17.214,00), embora esse valor tenha sido o menor entre as categorias de cor ou raça nessa grande área. Para a categoria parda, os maiores valores foram observados nas Ciências sociais aplicadas (R$ 17.826,70) — acima dos valores das categorias preta (R$ 16.381,87) e amarela (R$ 17.191,13) — e nas Engenharias (R$ 17.942,57). Destaca-se ainda que, nas grandes áreas Multidisciplinar e Ciências exatas e da terra, as remunerações médias mensais de doutores da categoria parda (R$ 15.105,35 e R$ 17.166,33, respectivamente) foram superiores às das demais categorias de cor ou raça. Para doutores da categoria indígena, a remuneração média mensal foi a mais alta entre as categorias nas Ciências agrárias (R$ 17.467,63), Ciências biológicas (R$ 17.162,10), Ciências da saúde (R$ 15.986,02), Ciências sociais aplicadas (R$ 18.534,39) e Engenharias (R$ 17.930,85). Nas Ciências humanas, a remuneração média mensal de doutores indígenas (R$ 15.659,30) foi ligeiramente superior à da categoria branca (R$ 15.477,05). No entanto, os menores valores para indígenas foram observados na grande área Linguística, letras e artes (R$ 12.961,96) e Multidisciplinar (R$ 13.215,40). Entre doutores da categoria amarela, as maiores remunerações médias mensais concentram-se nas Ciências agrárias (R$ 16.786,85) e Engenharias (R$ 17.307,85), com o maior valor dessa categoria registrado na grande área da Linguística, letras e artes (R$ 15.891,66).

A análise das remunerações nas grandes áreas do conhecimento em 2021 indica variação entre as maiores remunerações no que se refere a cor ou raça de mestres e doutores. Mestres de cor ou raça branca ganham mais nas Agrárias; Biológicas; Exatas e da terra, Sociais aplicadas, de cor ou raça amarela ganham mais na Saúde, e, de cor ou raça parda em Humanas; Linguística, letras e artes e Multidisciplinar.

No caso das remunerações médias mensais de titulados no doutorado, a estrutura de distribuição por cor ou raça e grande área do conhecimento tende a ser mais equitativa. Analisando as maiores remunerações entre doutores, os indígenas ganham mais em quatro das nove grandes áreas: Agrárias, Biológicas, Saúde e Sociais aplicadas. Doutores de cor ou raça parda têm maiores remunerações nas Exatas e da terra, Engenharia e Multidisciplinar. Amarelos recebem maiores remunerações na Linguística, Letras e Artes, e de cor ou raça pretas recebem as menores remunerações em cinco das nove grandes áreas do conhecimento, em ambos os níveis de formação.

Remuneração mensal média, por cor ou raça e grande área do conhecimento, 2021 (R$ constantes)

Pela CNAE, é de se notar que a remuneração média mensal, em 2021, de mestres e doutores por cor ou raça, foi mais elevada nas atividades da Indústria extrativa; Eletricidade e gás; Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; Atividades profissionais, científicas e técnicas; Indústria de transformação; Administração pública, defesa e seguridade social; Saúde humana e serviços sociais; e na Educação (gráfico 8.7.2).

A remuneração média mensal de mestres na Indústria extrativa é relativamente próxima entre as categorias de cor ou raça: R$ 18.822,78 para mestres brancos; R$ 18.996,14 para amarelos; R$ 17.994,85 para pretos; R$ 17.181,93 para pardos. A categoria indígena não apresentou empregos formais de mestres nessa atividade em 2021. Entre doutores, a remuneração média mensal na Indústria extrativa apresenta maiores diferenciais: R$ 23.920,34 para brancos; R$ 20.244,36 para pardos; e R$ 17.406,01 para pretos. Nas categorias amarela e indígena, não houve empregos formais de doutores nessa atividade. Nas Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, em 2021, a remuneração média mensal de mestres da categoria preta foi cerca de 22% menor (R$ 12.448,75) que a dos brancos (R$ 16.142,89) e 27% menor que a dos amarelos (R$ 17.044,19). Entre doutores, esses diferenciais se acentuam: doutores pretos receberam R$ 12.097,15 — cerca de 45% a menos que brancos (R$ 22.157,95), pardos (R$ 20.564,40) e amarelos (R$ 22.760,62). No setor de Eletricidade e gás, onde as maiores remunerações médias mensais foram registradas para brancos entre mestres e doutores, destacam-se os diferenciais entre doutores: R$ 23.415,19 para brancos, R$ 22.140,63 para pretos e R$ 18.611,84 para pardos. Nas Atividades profissionais, científicas e técnicas, entre mestres, os maiores diferenciais aparecem para as categorias preta (R$ 8.959,24) e indígena (R$ 9.997,86), em comparação com branca (R$ 11.967,61), parda (R$ 11.106,65) e amarela (R$ 11.250,15). Para a categoria branca, dentre os principais setores da CNAE, a menor remuneração média mensal foi observada na Educação (R$ 9.497,61), embora essa atividade apresente poucos diferenciais entre as categorias de cor ou raça. Em 2021, as remunerações médias mensais na Educação foram: R$ 9.617,98 para pretos, R$ 9.916,95 para pardos, R$ 9.688,50 para indígenas e R$ 9.315,71 para amarelos.

No doutorado, observa-se tendência semelhante. Contudo, os diferenciais são mais acentuados para a categoria preta (R$ 15.826,42), em relação às demais: brancos (R$ 16.173,84), pardos (R$ 16.641,27), indígenas (R$ 16.800,98) e amarelos (R$ 15.897,47). Nos setores de Saúde humana e serviços sociais; Administração pública, defesa e seguridade social; e Indústria de transformação, as remunerações médias mensais de mestres e doutores pretos apresentaram diferenciais superiores a 20% em relação às remunerações médias mensais da categoria branca.

A análise das remunerações dos mestres nas principais seções da CNAE, em 2021, mostra que mestres na categoria parda ganham mais na Educação, de cor ou raça branca lideram as remunerações na Saúde; Administração pública, Atividades profissionais, científicas e técnicas e Eletricidade e gás, de cor ou raça indígena obtêm as maiores remunerações nas Indústrias de Transformação, e de cor ou raça amarela destacam-se nas Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados e Indústrias extrativas. Em cinco das oito seções analisadas, mestres de cor ou raça preta recebem as menores remunerações.

No caso dos doutores, os dados referentes às principais seções da CNAE em 2021 indicam que doutores de cor ou raça branca recebem as maiores remunerações em Administração pública, Indústrias de transformação, Indústrias extrativas e Eletricidade e gás. De cor ou raça amarela lideram na Saúde humana e serviços sociais e nas Atividades financeiras. De cor ou raça indígena apresentam as maiores remunerações na Educação e nas Atividades profissionais, científicas e técnicas. Doutores cor ou raça preta registram as menores remunerações em seis das oito seções analisadas, revelando desigualdades salariais persistentes.

Remuneração mensal média, por cor ou raça e principais seções da CNAE, 2021 (R$ constantes)

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